Se
é verdade que os gatos têm sete vidas, Irminia é a prova que o mito
pode ser real. A gata preta de pelagem farta nem sempre viveu dias
felizes.
Irminia foi abandonada junto à casa de Fernanda, em Bourg-en-Bresse (França), muito mal tratada e Fernanda recolheu-a.
Já nessa altura a história de Irminia era um exemplo. Os antigos donos
foram identificados pelos maus-tratos que infligiram ao animal e
condenados em tribunal a pagar uma indemnização, dinheiro esse que foi
entregue à Sociedade Protectora dos Animais francesa.
Em 2000, esta gata viajou com outro gato e os donos – um casal de
emigrantes – até à terra natal destes. Seguiam rumo à Coiro da Burra,
uma localidade perto de Estói, onde passavam as habituais férias de Verão.
No regresso ao país que escolheram para viver, Fernanda e o marido
sofreram um grave acidente de viação, na zona de Sevilha (Espanha). O
acidente resultou na morte do marido de Fernanda e esta sofreu alguns
ferimentos que a obrigamra a um internamento de três dias num hospital
local.
Quando teve alta, a emigrante dirigiu-se à polícia e perguntou pelos
animais de estimação que seguiam viagem no carro. As autoridades
espanholas informaram-na que apenas um tinha sobrevivido: o gato Popei,
que regressou a França com a dona.
Até Agosto deste ano, Fernanda sempre acreditou que a gata Irminia
tivesse morrido no fatídico acidente. Qual não foi a surpresa quando
volta a reencontrar a bichana sete anos depois.
Gata encontra casa da dona em Portugal
Fernanda e o falecido marido tinham por hábito viajar para Portugal
nas férias de Verão acompanhados pelos animais de estimação. Depois do
acidente a senhora manteve esse costume, fazendo-se acompanhar pelo
gato sobrevivente, que viveu até Julho de 2006.
Fernanda nutre um grande amor por animais, o que a leva a recolher,
acarinhar e alimentar alguns gatos da vizinhança, tanto em Portugal
como na França.
Já em Agosto deste ano, estava Fernanda na sua casa em Portugal e
aos gatos que por hábito alimenta na rua junta-se uma gatinha preta,
com um ar muito mal tratado. Quando a chamou, “a gata dirigiu-se
directamente à casa e nunca mais se foi embora”, conta Fernanda.
Passados uns dias decide levá-la ao veterinário e já desconfiava que
se tratava da bichana que supostamente havia morrido no acidente,
apesar de achar que seria muito difícil que fosse a mesma.
“Eu chamei pelo nome dela e veio logo, falava em francês com ela e ela compreendia, foi aí que comecei a realizar”, explica.
A visita ao veterinário confirmou as suspeitas. A gata possui um
chip que identifica os donos e lá estavam o nome e morada de Fernanda
na França!!!
A alegria de Fernanda não é descrita em palavras e quando
questionada pelo veterinário sobre o destino a dar à bichana respondeu:
“se você me desse o dinheiro que sai no loto eu não trocava por este
animal. É uma companhia”.
Irminia agora é uma gata feliz e a sua dona também, depois de sete
anos de separação a ligação entre as duas é notória e os mimos de
Fernanda contribuíram para a rápida recuperação desta felina que
durante sete anos ninguém sabe por onde andou.
“Estava muito magrinha, as patinhas muito usadas, não tinha unhas,
tinha falta de pêlo, um mês depois já não parece a mesma”, descreve a
dona.
Segundo Fernanda, o caso de Irminia não é pioneiro. Um veterinário
francês por ela contactado explicou-lhe que existem casos semelhantes e
até com intervalos de tempo mais longos.